A banda brasileira Jota Quest lançou seu novo álbum nesta quinta-feira (27), Jota Quest & Tim Maia -- Dance Enquanto Há Tempo, que comemora a trajetória de 30 anos do grupo e faz uma referência clara ao primeiro álbum, J.
Quest (1996)q ue teve participação direta de Tim Maia (1942 -- 1998).
Em coletiva de imprensa, que a Quem participou, os artistas refletiram sobre esse novo momento musical juntamente com o filho do cantor, Carmelo Maia.
"Dance Enquanto É Tempo é o nome da primeira música do Tim Maia que gravamos, que foi a música que abriu todos os shows da nossa primeira turnê.
Por isso trouxemos ela também para, mais uma vez, reforçar essa nossa relação com o Tim e com a obra dele", diz Rogério Flausino, vocalista do grupo.
O novo álbum conta com 16 músicas, releituras de sucessos do cantor, como Acenda o Farol (1978), Descobridor de 7 Mares (1983) e Gostava Tanto De Você (1973), contando com participações como Tony Tornado, Thiaguinho e Negra Li.
Para trazer a presença de Tim Maia, os artistas usaram diversos arquivos audiovisuais já existentes do cantor.
"A gente parou ali, [mas] se deixasse, estávamos até agora gravando, já devia ter umas 26 músicas gravadas", brinca Flausino.
O projeto valoriza a cultura negra, com destaque à Black Soul, um dos principais gêneros da banda, que também conversa sobre outros gêneros musicais, como R&B e funk.
"Eles são os únicos brancos cantando.
É que não se ligaram nisso, mas eu estava ligado o tempo inteiro", observa Carmelo.
"Não tem brasileiro totalmente branco, mas 99% das inserções, das narrativas que tiveram, vieram tudo da Black Music e da influência mesmo do gueto.
Tim Maia é atemporal, é como a Bíblia, algo atual", completa o filho do cantor.
Jota Quest
Divulgação
Jota Quest conta que, em algumas músicas, fez uma releitura com novas influências, enquanto em outras se aproximou da original.
"Foi um trabalho muito gratificante você poder, com todo o respeito, trabalhar com um artista feito o Tim Maia e os hits dele, que estão no inconsciente coletivo e lidam com a memória afetiva", reflete o tecladista Márcio Buzelin.
"Conseguir trabalhar as músicas com total delicadeza e ainda agregar algo a mais, que é o DNA da banda, e poder convidar artistas que têm essa referência muito grande da Black Music", afirma o músico.
O Jota Quest estará em 6 de setembro (domingo), no Palco Sunset, no Rock in Rio, e, segundo Carmelo, esse será um momento significativo para a memória de Tim Maia.
"Meu pai partiu desse plano com uma coisa muito triste.
Era o sonho dele ser convidado para cantar no Rock in Rio.
Ele falava muito em casa, porque, claro, com a fama dele de faltar show, que eu não passo a mão na cabeça dele em parte alguma", conta.
Carmelo Maia, filho de Tim Maia, com Flausino e Thiaguinho
Reprodução/Instagram
Segundo Carmelo, Tim Maia faltou a algumas apresentações marcadas, "mas outras botaram na conta dele.
Ele de uma forma indireta, aparecer no Rock in Rio, para mim, dessa forma talvez seja uma retratação".
"Fiquei muito feliz pelo meu pai, porque sei que ele não tem mais como estar aqui.
Somos finitos, e a banda Jota Quest tem total representatividade legítima para brincar, cantar e fazer de tudo com a obra do meu pai", completa.
Jota Quest leva Tim Maia para palco no Rock in Rio
Divulgação
Tim Maia deu nome à banda
Em meio às lembranças com o cantor, os integrantes do Jota Quest relembraram que foi o próprio Tim Maia que deu o nome à banda.
Flausino comenta que, certa vez, ele teve que ligar para o número pessoal do cantor para pedir a liberação da música Dance Enquanto É Tempo (1976).
Segundo ele, a reação do Tim Maia foi de surpresa por alguém querer regravar esta canção e quis saber mais sobre a banda Black Soul de Minas Gerais.
"Ele falou: 'Como é que chama a banda?'.
Eu falei: 'J [pronúncia em inglês] Quest' e ele: 'Jay? Não estou entendendo", resgata o vocalista.
Em seguida, quando o cantor falou a letra com a pronúncia em português, ele conta que Tim respondeu: "Jota Quest é maneiro, J Quest, não, esse negócio não entendi nada".
Já Márcio relembra que, nesta época, a banda estava em um festival "muito grande na época, de super pop e rock, a gente tocou e queria assistir ao rei.
Invadimos para ficar ali perto do palco, na área de segurança, e eles olharam para nossa cara; ninguém conhecia ninguém e começaram a tirar a gente".
Jota Quest
Divulgação
Enquanto cantava o hit Não Quero Dinheiro (1971), o tecladista conta que Tim parou de cantar e falou: "Deixa os meninos do Jota Quest em paz".
"A gente chamava J [pronuncia em inglês] Quest.
Lembro que quando ouvi isso, falei: 'Não acredito que ele está falando da gente.
O cara sabe quem somos nós'", relembra.
"Os seguranças acabaram deixando a gente assistir, e estávamos para mudar o nome por causa de um problema com um desenho, Jonny Quest (1964), que foi produzido pelo estúdio Hanna-Barbera.
Não sabíamos como é que mudaríamos, e o nome Jota Quest é apadrinhado pelo Tim Maia", completa.
Jota Quest e filho de Tim Maia revelam que cantor queria estar no Rock in Rio: 'Era o sonho dele ser convidado'
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