De olho no segundo maior colégio eleitoral do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia dar início à sua campanha à reeleição em Minas Gerais em 17 de agosto, um dia após o início oficial do período eleitoral.
A estratégia busca reforçar sua presença no Estado, considerado decisivo para a disputa presidencial.
Nos bastidores, porém, o PT ainda enfrenta impasses na composição de sua chapa em Minas.
Seguem indefinidos o nome que ocupará a vice na candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo estadual e o indicado para a segunda vaga ao Senado, cenário que aliados avaliam poder enfraquecer o palanque do petista.
Nas últimas semanas, o PT fez um esforço concentrado para destravar os cargos que ainda estão em aberto na chapa de Patrus.
Inicialmente, o partido tinha a intenção de lançar o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB) para a segunda vaga ao Senado, compondo a chapa com Marília Campos (PT).
Em contrapartida, pretendia anunciar a ex-deputada Áurea Carolina (Psol) como candidata a vice-governadora.
As negociações, porém, avançaram sem acordo, e a expectativa dentro do partido é que tanto Jarbas quanto Áurea disputem o Senado, e o Psol mantenha aliança apenas na eleição majoritária.
Na avaliação de petistas, esse não é o cenário ideal, pois enfraquece o campo político, mas é o desenho considerado possível.
A avaliação interna é que a indefinição quanto à chapa de Patrus e os nomes que serão apoiados por Lula só não trazem maiores prejuízos à reeleição do chefe do Executivo porque o campo da direita também está dividido.
Na terça-feira (4), após ter anunciado desistência da corrida eleitoral, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) voltou atrás e pediu a seu partido para ser candidato.
O pedido, no entanto, não foi atendido.
Para a campanha petista, Patrus e Lula devem ser beneficiados com os votos de Cleitinho.
Nesse cenário, a equipe do entorno do chefe do Executivo vê o campo da direita mais indefinido, o que pode favorecer a chapa do presidente.
O PL avalia apoiar a candidatura de Marcelo Aro (PP), ex-secretário da gestão de Romeu Zema, para governador de Minas Gerais, se houver desistência de Cleitinho.
O governador Mateus Simões (PSD) vai tentar a reeleição.
Na tentativa de dar um norte ao pleito mineiro, Lula pretende participar do lançamento das candidaturas de Patrus e Marília no Estado, e pressionar pela definição da chapa.
Paralelamente, agendas do presidente no Estado, logo no início do período oficial da campanha, estão sendo estudadas para os dias 17 e 19 de agosto.
O fortalecimento da candidatura de reeleição de Lula em Minas Gerais é considerado peça-chave para uma eventual vitória do petista nas eleições deste ano.
Isso porque o Estado costuma ser decisivo nos pleitos, especialmente para a Presidência da República.
Desde 1950, o ente federativo repete tradição de que o primeiro colocado ao Palácio do Planalto em Minas Gerais foi o vencedor da eleição presidencial nacional.
Lula, por exemplo, conseguiu 50,2% dos votos válidos em Minas Gerais, ante 49,8% obtidos pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
A agenda de campanha de Lula ainda está sendo desenhada, mas a estratégia traçada é que o chefe do Executivo deva focar seus primeiros dias da corrida à reeleição entre a viagens às regiões Sudeste – com foco em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, além do Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente e que vinha apresentando maior desaprovação ao chefe do Executivo nas pesquisas eleitorais.
A avaliação é que, a 60 dias do pleito presidencial, o petista precisa focar suas visitas a locais considerados estratégicos para alavancar votos.
Por outro lado, para contornar a ausência física, Lula deve gravar vídeos a aliados reforçando apoio público em diversos Estados.
