Pela primeira vez no ano, o medo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatou numericamente com o temor da volta da família Bolsonaro ao poder.
É o que indica a nova rodada de pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira.
Desta vez, ambos os índices atingiram 43% — os dados variaram dentro da margem de erro desde a sondagem anterior, publicada em 14 de agosto.
Segundo a nova Quaest, 7% indicaram ter medo dos dois cenários.
Além disso, 5% não souberam e não responderam, e 2% relataram não temer a vitória de quaisquer dos dois candidatos.
O índice de medo da reeleição de Lula foi impulsionado pelo eleitorado bolsonarista, cujo temor da vitória petista cresceu seis pontos (87% a 93%) desde o levantamento anterior.
Há duas semanas, havia empate técnico no limite da margem: 45% temiam mais a volta dos Bolsonaros ao Planalto, enquanto 41% citaram ter mais medo de um quarto mandato de Lula.
A maior diferença entre eles foi registrada em julho deste ano, quando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofria desgastes pela revelação de seu elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pelo vídeo postado pela madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).
Mais recentemente, a campanha petista passou a lidar com a repercussão das investigações da Polícia Federal contra Lulinha, filho do presidente.
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Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT),Flávio Bolsonaro (PL) e Pablo Marçal (PRTB) lideram na rejeição entre eleitores.
Enquanto o petista, que disputa a reeleição, tem 53% de rejeição, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) marca 55%, segundo a nova pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo e O GLOBO e divulgada nesta quarta-feira.
O empresário e coach aparece em terceiro, com 44% de rejeição, seguido pelos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), com 40% e Romeu Zema (Novo), 38%.
A pesquisa é a primeira feita pelo instituto após o início da campanha eleitoral e capta a repercussão no eleitorado da série de sabatinas da TV Globo com os principais concorrentes na disputa, incluindo Lula e Flávio — cujas entrevistas foram pautadas pelas investigações do financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro (PL) e contra supostos negócios ilícitos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A César Tralli e Renata Vasconcellos, Flávio negou que o elo com o banqueiro Daniel Vorcaro, derivado do financiamento do longa "Dark Horse", tenha incluído uma "contrapartida" na sua atuação como parlamentar e tentou vincular a fraude bancária ao rival.
Em maio, o site The Intercept revelou mensagens trocadas entre o senador e o então dono do Master, nas quais Flávio buscava recursos para financiar o filme sobre o pai.
Segundo a publicação, foram negociados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados (nesta terça-feira, a revista Piauí publicou que mais um repasse desmente a versão de Flávio).
A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar se o dinheiro foi usado para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
Já Lula precisou responder sobre o andamento e os efeitos de três inquéritos que miram seu filho Lulinha: tráfico de influência na Saúde, favorecimento na empresa pública Dataprev e negócios ilícitos no governo.
A PF pediu aval ao Supremo Tribunal Federal (STF) após encontrar, durante as apurações sobre desvios ilegais em aposentadorias do INSS, indícios de que Lulinha atuava em parceria com a lobista Roberta Luchsinger.
A corporação também analisa um repasse da empresária a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do petista.
Na TV Globo, Lula chamou as acusações de "ilações" e disse que o filho provará inocência, mas negou blindagem.
Os dados sugerem que, até o momento, os escândalos não surtiram efeito na rejeição dos candidatos.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que significa que há empate técnico e o petista e o candidato do PL nesse quesito.
Augusto Cury, candidato do Avante que assumiu a terceira colocação da disputa na nova pesquisa, com 10% das intenções de voto, é rejeitado por um quarto do eleitorado (25%).
Na sondagem passada, aqueles que disseram conhecê-lo e se recusaram a apoiá-lo eram 16%.
O efeito indica um ônus de o escritor ter se tornado mais conhecido: se 74% afirmaram não saber quem ele era há duas semanas, agora são 54%.
No mesmo período, a proporção que o conhece e votaria nele saltou de 10% a 21%.
Candidato do Missão à Presidência, Renan Santos também ficou mais conhecido ao longo da campanha (caiu de 65% a 58% a porção que disse não conhecê-lo) — enquanto o grupo que citou a possibilidade de votar nele se manteve estável, em 14%, sua rejeição foi de 21% a 28%.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.
No levantamento anterior da Quaest, divulgado em 14 de agosto, o petista somava 52% de rejeição e o principal oponente, 54%.
Ou seja, as variações ocorreram dentro da margem de erro.
No início de agosto, Flávio era o pré-candidato com maior rejeição entre os testados, com a desaprovação de 54% dos eleitores, recuo de três pontos percentuais em relação a julho.
Em abril, o percentual era menor, de 52%.
Já Lula marcava 52% de rejeição em agosto, número que interrompeu uma tendência de queda no índice.
Em julho, ele havia obtido 50%, tendo atingido o percentual de 53% em junho e de 55% em abril.
