O micro-ondas não faz mal à saúde quando usado corretamente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a FDA, dos Estados Unidos.
Presente em milhões de cozinhas, o aparelho ainda é cercado de mitos, especialmente por causa da palavra "radiação", que muitos associam a riscos graves.
Modelos de marcas como Panasonic, Electrolux e Consul utilizam ondas eletromagnéticas para aquecer alimentos, mas a tecnologia é diferente da presente em fontes de radiação capazes de alterar o DNA humano.
Para esclarecer as principais dúvidas, o TechTudo conversou com o professor do curso de Engenharia de Alimentos do Instituto Mauá de TecnologiaEdmilson Renato de Castro, e com o professor de Engenharia Mecânica da mesma instituição Bruno Chieregatti.
Os especialistas explicam como funciona o micro-ondas, se a radiação emitida pelo aparelho pode afetar a saúde, o que acontece durante o aquecimento e quais cuidados são necessários para evitar acidentes.
Confira.
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Micro-ondas faz mal? Veja mitos e o que a ciência diz sobre
Reprodução/Freepik
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Micro-ondas é perigoso? Especialistas explicam os riscos reais do aparelho
Prático e indispensável na cozinha, o micro-ondas também é alvo de diversos mitos.
Mas será que ele faz mal à saúde? Entenda como o aparelho funciona, quais são os riscos reais e o que a ciência diz sobre o impacto do micro-ondas nos alimentos e no organismo.
Como funciona um micro-ondas?
A radiação do micro-ondas pode causar câncer?
Comida feita no micro-ondas perde nutrientes?
Quais são os riscos reais do micro-ondas?
É seguro aquecer alimentos em recipientes plásticos?
O micro-ondas realmente faz mal?
1.
Como funciona um micro-ondas?
O funcionamento do forno micro-ondas depende da emissão de ondas eletromagnéticas produzidas por um componente conhecido como magnetron.
Essas ondas operam em uma frequência de aproximadamente 2,45 GHz e fazem parte do espectro eletromagnético, que também inclui ondas de rádio, luz visível, infravermelho, ultravioleta e raios X.
As micro-ondas são direcionadas para o interior da cavidade do aparelho, onde são refletidas pelas paredes metálicas e absorvidas principalmente pelas moléculas de água presentes nos alimentos.
Quando essas moléculas absorvem a energia das micro-ondas, passam a oscilar mais rapidamente e aumentam a energia térmica do alimento.
Outras moléculas polares também podem absorver parte dessa energia e contribuir para o aquecimento.
Micro-ondas aquece os alimentos por meio de ondas eletromagnéticas
Divulgação/Xiaomi
Chieregatti explica que as micro-ondas penetram alguns centímetros nos alimentos, dependendo da composição, e fazem as moléculas de água mudar rapidamente de orientação em resposta ao campo eletromagnético alternado.
Segundo ele, esse movimento gera calor diretamente no interior do alimento, o que torna o processo muito mais rápido do que nos métodos convencionais, nos quais o calor é transferido da superfície para o centro.
Uma dúvida frequente está relacionada à segurança do aparelho: o micro-ondas não transforma a comida em algo radioativo.
A energia utilizada é convertida em calor e deixa de existir quando o equipamento é desligado.
"As micro-ondas são classificadas como radiação não ionizante, ou seja, não possuem energia suficiente para alterar a estrutura dos átomos ou causar danos ao DNA, como pode ocorrer com radiações ionizantes, como os raios X e as radiações emitidas por materiais radioativos", destaca Chieregatti.
2.
A radiação do micro-ondas pode causar câncer?
A radiação utilizada pelos fornos de micro-ondas não causa câncer.
Ela é classificada como não ionizante, o que significa que não possui energia suficiente para remover elétrons dos átomos ou provocar alterações diretas no DNA.
Segundo a OMS, as radiações não ionizantes incluem ondas de rádio, micro-ondas e outras formas de energia eletromagnética sem capacidade de ionizar átomos.
A FDA considera seguros os fornos de micro-ondas que atendem aos padrões de segurança e são usados conforme as orientações dos fabricantes.
De Castro reforça que não há evidências científicas de que o uso do forno de micro-ondas cause câncer ou danos à saúde quando o aparelho é usado corretamente.
Ele destaca que organizações como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Cancer Council são unânimes ao afirmar que as micro-ondas são seguras e que o consumo de alimentos aquecidos nesse tipo de eletrodoméstico não aumenta o risco de tumores.
Não há risco de desenvolver câncer por utilizar o micro-ondas
Reprodução/Freepik
3.
Comida feita no micro-ondas perde nutrientes?
Um dos mitos mais comuns é que o micro-ondas destruiria os nutrientes dos alimentos.
Na prática, qualquer método de preparo que envolva calor pode causar alterações nutricionais, e a perda depende principalmente do tempo de exposição ao calor, da temperatura utilizada e da quantidade de água empregada no preparo.
Como o micro-ondas aquece os alimentos mais rapidamente e, muitas vezes, requer pouca ou nenhuma água, ele pode preservar melhor determinados nutrientes em comparação com métodos mais demorados.
"Os alimentos preparados ou aquecidos no micro-ondas geralmente preservam melhor os nutrientes do que os métodos de cozimento tradicionais, como a fervura no fogão ou o forno a gás.
Isso ocorre porque o tempo de exposição ao calor é menor, o que reduz a degradação de compostos antioxidantes e de vitaminas sensíveis às altas temperaturas, como a vitamina C", explica De Castro.
Alimentos preparados no micro-ondas preservam melhor os nutrientes em comparação com outras formas de aquecimento
Reprodução/Amazon
4.
Quais são os riscos reais do micro-ondas?
Embora muita gente ainda tema os riscos relacionados à radiação, os principais perigos do micro-ondas estão associados a outros fatores.
O mais comum é o de queimaduras causadas por alimentos ou líquidos superaquecidos: um líquido aquecido no aparelho pode ultrapassar a temperatura de ebulição sem formar bolhas visíveis e, ao menor movimento do recipiente ou ao adicionar algum ingrediente, liberar vapor de forma repentina.
Chieregatti detalha os principais riscos ligados ao uso inadequado do equipamento: queimaduras por alimentos superaquecidos, explosão de recipientes fechados, uso de materiais metálicos no interior do aparelho e danos causados por recipientes não indicados para aquecimento.
"Também é importante evitar aquecer recipientes completamente fechados, como potes com tampa vedada, ou alimentos com casca íntegra, como ovos, pois o aumento da pressão interna pode causar rompimentos ou explosões", alerta.
O uso do papel alumínio, plastico filme e ovos podem causar explosões no micro-ondas
Reprodução/Gemini
A manutenção do equipamento também merece atenção: aparelhos com porta quebrada, vedação danificada ou problemas no fechamento podem comprometer os sistemas de proteção contra vazamento de energia.
Para o professor, manter a porta e as vedações em boas condições, seguir as orientações do fabricante e fazer a limpeza periódica contribui para a segurança e para o bom desempenho do aparelho.
5.
É seguro aquecer alimentos em recipientes plásticos?
O uso de plástico no micro-ondas depende do tipo de material.
Nem todo recipiente plástico é adequado para altas temperaturas, e alguns podem liberar substâncias indesejadas quando aquecidos de forma incorreta.
O usuário deve verificar se o recipiente possui indicação de uso em micro-ondas e seguir as orientações do fabricante.
Símbolos presentes na embalagem ou no próprio produto ajudam a identificar se o material foi desenvolvido para suportar aquecimento.
De Castro indica que os recipientes mais seguros são os de vidro refratário e os de cerâmica, como a porcelana, desde que não possuam detalhes metalizados.
Segundo ele, as tintas metálicas usadas na decoração de peças cerâmicas podem se desprender durante o aquecimento e migrar para o alimento.
"As principais vantagens desses materiais são que não liberam substâncias nocivas sob altas temperaturas, não deformam, não retêm odores, são fáceis de higienizar e têm maior vida útil", orienta o professor.
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Reprodução/Freepik (IA)
6.
O micro-ondas realmente faz mal?
Com base no consenso científico disponível, o micro-ondas não é considerado prejudicial à saúde quando usado corretamente.
O aparelho utiliza radiação não ionizante, diferente da radiação ionizante associada a alterações no DNA e ao aumento do risco de câncer.
O equipamento é projetado para manter as ondas eletromagnéticas contidas no interior durante o funcionamento e passa por normas rigorosas de segurança antes de chegar ao consumidor.
"De forma geral, não existe nenhuma evidência científica de que o uso do forno de micro-ondas cause câncer ou provoque danos à saúde humana quando utilizado de acordo com as instruções do fabricante", ressalta De Castro.
Usado da forma correta o micro-ondas é um aparelho seguro e não faz mal a saúde
Divulgação/Philco
O problema costuma surgir em situações de uso inadequado: aquecer recipientes não indicados para micro-ondas, usar materiais metálicos, operar o aparelho danificado ou ignorar orientações básicas de preparo dos alimentos.
Quando utilizado corretamente, o micro-ondas é seguro, eficiente e preserva bem os nutrientes dos alimentos.
A melhor forma de aproveitá-lo é seguir as recomendações do fabricante, usar recipientes apropriados e manter o equipamento em boas condições de funcionamento.
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