‘Nenhum dos dois é 22’: em terceiro, candidato do PL ao governo de Goiás enfrenta traições dentro da própria sigla - QTU Questões do Universo

‘Nenhum dos dois é 22’: em terceiro, candidato do PL ao governo de Goiás enfrenta traições dentro da própria sigla

Fonte: Bandeira da fonte

Ainda no início da campanha, a candidatura de Wilder Morais (PL) já começa a enfrentar fogo amigo enquanto o senador tenta se consolidar como a alternativa à direita ao governo de Goiás.
Em uma disputa que se desenha entre três nomes — Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e o próprio Wilder —, prefeitos correligionários do senador já aderiram ao nome que lidera as pesquisas: Vilela, sucessor do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).
O movimento levou o PL goiano a ameaçar abrir processos disciplinares contra os dissidentes e expõe a dificuldade de Wilder em manter unido o partido em torno de sua postulação.
O caso mais recente é o do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, eleito pelo PL em 2024 com apoio da legenda e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No último sábado, Corrêa declarou apoio a Vilela, contrariando a candidatura de Wilder.
— Daniel Vilela não fica prometendo, apresentando discursos, retóricas.
Ele é um governador que faz.
E, como prefeito de Anápolis, devo atestar e reconhecer isso — afirmou Vilela ao jornal Opção, de Goiás.
O episódio provocou reação imediata da executiva estadual do PL, que convocou uma reunião para apurar a conduta do prefeito e avaliar medidas disciplinares previstas no estatuto partidário.
A sigla abriu um processo disciplinar que pode levar à expulsão de Corrêa da sigla.
“Márcio Corrêa foi eleito prefeito de Anápolis em 2024 pela legenda do Partido Liberal.
O mandato foi construído com o trabalho dos vereadores, dos filiados e da militância que levaram a bandeira do PL às ruas da cidade.
O partido deve uma resposta a esses anapolinos”, informou o PL-GO, em nota.
Outro prefeito do PL, Carlinhos do Mangão, do município de Novo Gama, também declarou apoio a Vilela.
Ele reforçou o apoio no último sábado (29), e pediu que o eleitorado se mobilize para definir a eleição ainda no primeiro turno.
“Nós estamos apoiando o melhor governo que tem no estado de Goiás”, pontuou o prefeito.
Wilder reagiu à dissidência com um discurso de cobrança de lealdade.
Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que “a palavra precisa ser valorizada” e disse que Corrêa havia sido eleito pelo PL com o apoio irrestrito do partido e de Bolsonaro.
O senador também acusou o prefeito de romper compromissos políticos e afirmou que, caso Bolsonaro estivesse livre para reagir, qualquer dissidente “seria considerado traidor”, não sendo tolerado dentro da legenda.
— Anápolis, o meu compromisso com você segue de pé.
Com prefeito ou sem prefeito, eu não viro as costas para você — afirmou Wilder.
O deputado federal e candidato ao Senado Gustavo Gayer e o vereador Vitor Hugo, ambos do PL, saíram em defesa de Corrêa nesta terça-feira.
Os dois argumentam que outros mandatários filiados ao partido, como o prefeito de Novo Gama, também declararam apoio à reeleição de Vilela.
Para Gayer, a situação de Corrêa não deveria ser tratada de forma isolada.
“Há no PL outros prefeitos que também não apoiam o Wilder e não foram expulsos”, afirmou Gayer em nota.
A direção estadual do PL, no entanto, subiu o tom.
Em nota, classificou como conduta vedada pelo estatuto o apoio de um filiado a outro candidato ao governo enquanto o partido possui candidatura própria.
O partido destacou ainda que Wilder teve sua candidatura homologada em convenção estadual realizada em 3 de agosto, com o apoio da direção da legenda.
Do outro lado da disputa, Marconi Perillo chegou a tratar o adversário como um aliado potencial em um eventual segundo turno.
Em entrevista à Rádio Difusora de Goiânia na última sexta-feira (21), o ex-governador afirmou ter conversado com Wilder e disse que os dois haviam combinado apoio mútuo caso um deles avançasse para a segunda etapa.
— Já tivemos conversas.
Eu disse, olha, se você for para o segundo turno, eu te apoio, porque a gente precisa mudar o governo aqui.
Tirar o Daniel — declarou Marconi, referindo-se a Vilela, garantindo que Wilder também havia declarado que o apoiaria.
A campanha de Wilder, porém, negou que exista qualquer acordo.
Em nota, afirmou que “não há nenhuma tratativa com outras candidaturas para composição em um eventual segundo turno” e disse que a prioridade é vencer a eleição já na primeira etapa.
— Nós estamos comprometidos com a vitória em primeiro turno.
Estou confiante nessa possibilidade.
Qualquer outro cenário só será discutido se acontecer — afirmou Wilder.

A disputa ajuda a expor uma contradição no cenário eleitoral de Goiás: enquanto Marconi tenta se apresentar como um dos dois nomes capazes de chegar à segunda etapa, Wilder procura justamente impedir que a eleição seja reduzida a uma polarização entre o tucano e o candidato do grupo de Ronaldo Caiado.
É uma tarefa difícil, segundo a última Quaest.
Levantamento divulgado na última quinta-feira mostra Vilela com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi, com 20%, e Wilder, com 12%.
O candidato do PT, Luis Cesar Bueno, aparece com 4%.
Outros 20% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
A margem de erro é de três pontos percentuais.
O resultado coloca Wilder a oito pontos de Marconi e 25 de Vilela.
Nos cenários de segundo turno, o senador também aparece atrás dos dois principais adversários.
O quadro ajuda a explicar por que a estratégia da campanha tem sido se colocar em oposição aos outros dois candidatos, ignorando o petista.
O movimento ficou explícito no novo jingle da campanha.
Publicado nas redes sociais, o vídeo repete o refrão “nenhum dos dois é 22”, numa referência direta a Vilela e Marconi.
PT na disputa
Enquanto os três principais candidatos avançam em agendas pelo estado, o PT ainda tenta colocar sua campanha nos trilhos.
Luis Cesar Bueno foi escolhido às vésperas da convenção depois que Adriana Accorsi, inicialmente cotada para disputar o governo com o apoio de Lula, decidiu concorrer à reeleição para a Câmara.
O atraso na definição deixou o petista praticamente fora das ruas na primeira semana da campanha.
A agenda de Bueno ficou concentrada em reuniões internas, encontros com militantes e sabatinas.
Duas caminhadas que chegaram a ser previstas com Adriana Accorsi ocorreram sem a presença do candidato.
Segundo Bueno, a primeira semana serviu para reorganizar a campanha e reconstruir a articulação com prefeitos, vereadores e aliados.