Por que os super ricos estão vendendo suas ilhas privadas — e a de Ivo Pitanguy entrou nessa lista - QTU Questões do Universo

Por que os super ricos estão vendendo suas ilhas privadas — e a de Ivo Pitanguy entrou nessa lista

Fonte: Bandeira da fonte

Uma ilha de cerca de 299 mil metros quadrados em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que pertenceu ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy, entrou para uma lista cada vez maior de propriedades privadas históricas colocadas à venda por famílias milionárias e bilionárias ao redor do mundo.
Pitanguy comprou a ilha em 1973 e transformou o local em um refúgio para familiares, amigos e convidados.
Depois da morte do cirurgião, em 2016, e de sua mulher, Marilu, em 2023, a família decidiu colocar a propriedade no mercado pela primeira vez em mais de 50 anos.
Segundo anúncio citado pelo O Globo, a ilha fica em Angra dos Reis, é cercada por Mata Atlântica preservada e tem acesso por barco ou helicóptero.
A estrutura inclui uma casa principal e seis bangalôs, que somam nove suítes, além de praia privativa, espaço gourmet, sauna, sala de jogos e cinema.
Há ainda um espaço para embarcações, pista de pouso homologada, heliponto, nascentes de água doce e sistemas próprios de geração de energia e abastecimento de água.
A circulação interna pode ser feita por carrinhos de golfe.
O valor da propriedade não havia sido divulgado quando a venda foi noticiada em junho por O Globo.
Já a Forbes, em reportagem publicada na sexta-feira, 21 de agosto, afirma que a família está vendendo a ilha por US$ 100 milhões.
O caso brasileiro ilustra um movimento observado em outras propriedades de alto padrão: refúgios criados e mantidos durante décadas por uma geração chegam ao mercado quando filhos e netos passam a ter outros estilos de vida ou quando administrar estruturas desse porte deixa de fazer sentido para a família.
Na lagoa de Veneza, na Itália, outro exemplo é Santa Cristina, ilha que durante quase 40 anos pertenceu ao bilionário Gernot Langes-Swarovski, bisneto do fundador da Swarovski.
Ele comprou a propriedade de 72 acres em 1986 e investiu na recuperação de vinhedos, pomares e atividades de piscicultura, além de construir uma estrutura que inclui uma vila de nove quartos, casa de campo, hortas, oliveiras, apiário, capela, piscina e acesso para helicópteros.
Ilha Santa Cristina, da família Swarovski
Divulgação, veniceprivateisland.com
Após a morte de Langes-Swarovski, em 2021, a fundação da família assumiu a propriedade.
Agora, a ilha está à venda por € 24 milhões, pela primeira vez em cerca de quatro décadas.
Nos Estados Unidos, a família Ziegler, que construiu sua fortuna a partir da Royal Baking Powder, vendeu em novembro de 2025 a Hay Island, em Connecticut, por US$ 26,5 milhões.
A ilha havia permanecido nas mãos da família por mais de um século.
Durante gerações, serviu como ponto de encontro para férias e, em determinados momentos, também como residência.
Com o tempo, porém, integrantes da família se espalharam pelo país e deixaram de utilizar a propriedade com a mesma frequência.
Dois anos antes, os Zieglers já haviam vendido outra propriedade próxima, Great Island, para a cidade de Darien por US$ 85 milhões.
Por que essas famílias estão vendendo?
Não existe uma única razão para as vendas, mas os casos têm pontos em comum.
Um deles é a sucessão.
Propriedades desse tipo muitas vezes foram construídas a partir dos interesses e da rotina de uma pessoa específica.

Quando passam para filhos e netos, os herdeiros precisam decidir se querem assumir também a administração, os custos e a responsabilidade de manter o projeto.
Esse problema é especialmente relevante em ilhas.
Além da conservação de imóveis, proprietários precisam lidar com transporte de funcionários e materiais, geração de energia, abastecimento de água, manutenção de embarcações, píeres e outros equipamentos.
Uma análise de 2026 da Private Island Market citada pela Forbes estima que uma ilha desenvolvida de porte modesto possa custar entre US$ 84 mil e US$ 310 mil por ano para operar.
Em propriedades maiores e com equipes permanentes, os gastos podem passar de US$ 500 mil anuais, sem incluir grandes reformas ou novos investimentos.
A maresia acelera o desgaste de equipamentos, enquanto materiais de construção e máquinas muitas vezes precisam ser transportados de barco.
Seguros também podem ser caros ou difíceis de contratar, principalmente em áreas sujeitas a furacões ou outros eventos climáticos.
Quando uma propriedade é dividida entre vários herdeiros, a equação pode ficar ainda mais complicada: um filho pode passar meses no local, enquanto outro quase nunca o utiliza, embora ambos tenham participação nos custos e nas decisões.
US$ 4,6 trilhões em imóveis devem trocar de geração
As vendas acontecem justamente quando uma quantidade expressiva de riqueza imobiliária está prestes a mudar de mãos.
Segundo o 2026 Trend Report, da Coldwell Banker Global Luxury, integrantes da geração X e millennials devem herdar cerca de US$ 4,6 trilhões em patrimônio imobiliário no mundo durante a próxima década.
Somente nos Estados Unidos, a transferência deve chegar a US$ 2,4 trilhões.Ao mesmo tempo em que alguns herdeiros se desfazem das propriedades construídas por seus pais ou avós, existe uma nova geração de compradores ricos interessada justamente nesse tipo de ativo.
Segundo outro levantamento da Coldwell Banker, as buscas por propriedades consideradas únicas, categoria que inclui ilhas privadas, cresceram 146% em um ano.
As pesquisas por grandes terrenos avançaram 97%.
A empresa relaciona esse movimento a uma procura maior por características como privacidade, espaço, localização e escassez.
Ou seja: enquanto algumas famílias concluem que uma ilha já não se encaixa em sua rotina, novos milionários e bilionários enxergam justamente nesses imóveis aquilo que desejam comprar.
Ilha de Hamilton, na Austrália, também à venda
Getty Images
A mudança de proprietário também pode transformar o destino das ilhas.
A propriedade de Pitanguy, por exemplo, é apresentada não apenas como um possível retiro privado, mas também, mediante as autorizações necessárias, como um imóvel com potencial para um projeto de hospitalidade de ultraluxo.
Outro exemplo é Motu Tane, perto de Bora Bora.
A ilha de dez acres pertenceu ao fundador da NARS Cosmetics, François Nars, e está anunciada por US$ 37,5 milhões.
Com 22 construções de inspiração polinésia, a propriedade é oferecida tanto como residência familiar quanto como possível operação de hotelaria.
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