Quedas, picos e tensão fraca: moradores de diferentes bairros da Zona Sudoeste relatam problemas recorrentes no fornecimento de energia - QTU Questões do Universo

Quedas, picos e tensão fraca: moradores de diferentes bairros da Zona Sudoeste relatam problemas recorrentes no fornecimento de energia

Fonte: Bandeira da fonte

Para alguns moradores, o problema é antigo.
Para outros, ganhou escala nos últimos meses.
Em diferentes pontos do Recreio dos Bandeirantes, da Barra da Tijuca e da Freguesia, em Jacarepaguá, relatos de quedas de energia, picos de tensão e fornecimento instável passaram a fazer parte da rotina.
Há casos em que as interrupções são associadas a temporais e ventos fortes; em outros, os moradores dizem não perceber uma causa específica.
A Light reconhece o problema e diz que as razões variam de acordo com a região.
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Moradora da Rua Antônio de Magalhães, próxima à Praça Mozar Firmeza, no Recreio, uma aposentada que preferiu não se identificar afirma que convive com oscilações na rede desde que se mudou para o bairro, em 1992.
Nos últimos meses, porém, as quedas de energia se tornaram mais frequentes, chegando a ocorrer, segundo ela, pelo menos uma vez por semana.
— Eu já perdi uma geladeira e um micro-ondas devido ao vai e volta da energia.
Já teve dia em que contei quase 20 picos de luz.
É preciso dar um fim a esse problema — reclama.
Outros pontos do Recreio também convivem com quedas frequentes de energia, segundo relatos recebidos pela equipe do GLOBO-Barra.
Entre eles estão trechos da Rua Professor Motta Maia, a partir do número 130; Estrada do Pontal; Rua Guilherme de Almeida, na altura da Praia e entre os pontos 10 e 11; Rua Jorge Yunes; Rua Silvia Pozzano; Avenida Tim Maia; Avenida Gilka Machado; Avenida Jarbas de Carvalho e Avenida Lucio Costa.

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Cansados de conviver com o problema na região, moradores do condomínio Recanto do Recreio criaram um abaixo-assinado para manifestar ao Ministério Público sua indignação e requerer providências urgentes.
De acordo com João Frazão, presidente da Associação de Moradores do Recanto do Recreio, o problema começou a chamar atenção em julho de 2024.
Na ocasião, os cerca de 15 mil moradores ficaram sem luz por mais de sete horas e, desde então, convivem com picos de energia.
O mais recente ocorreu na madrugada da última quinta-feira.

— Quando tivemos o problema de 2024, fizemos um abaixo-assinado direcionado à Light.
A concessionária veio, informou ter problemas de poda e ficou cerca de seis meses atuando nisso.
Mas, desde então, convivemos com picos de luz frequentes.
Afirmo que não ficamos uma semana inteira sem pico — afirma Frazão.
Além disso, Frazão explica que o novo abaixo-assinado surgiu após acúmulos de reclamação em relação à estrutura do entorno: postes de madeira, transformadores que pegam fogo semestralmente e equipamentos obsoletos.

— Na última ventania, ficamos 15 horas sem luz.
Eu que recebi as equipes que vieram reativar a energia.
Fiquei perplexo; o técnico abriu uma caixa, girou uma chave e a luz do condomínio voltou.
Em 2026 não tem equipamento mais moderno? Claro que tem, é preciso investimento — completa.
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Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Recreio (Amor), Simone Kopezynski, que mora no bairro desde 1984, afirma que recebe reclamações semanalmente e que o problema é “democrático”, brinca, porque atinge das áreas mais pobres às mais ricas.
— Desde sempre moradores de diferentes pontos do Recreio sofrem com quedas de energia frequentes.
A Amor tem queixas semanais de interrupções que podem levar horas.
Temos casos de mais de 24 horas — conta.
Desde o ano passado há relatos similares na Barra, segundo conta Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT).
O entorno dos condomínios Nova Ipanema e America’s Park concentra a maioria.
— É um problema que está chateando muita gente.
Eu já nem sei mais a quantidade de reclamações que recebemos nesse sentido.
Queremos que alguma providência seja tomada.
Afinal de contas, não é um bairro planejado? — questiona.
Queda de energia em Jacarepaguá
Na Freguesia, o problema costuma ser notado principalmente em dias de temporal ou ventos fortes.
Luan Fonseca, morador da Rua Ituverava, enfrenta problemas de tensão fraca e picos de luz com frequência desde que se mudou, há cerca de cinco meses.
— É chover ou ventar mais forte que o bairro fica sem luz.
Mas tem alguns pontos que parecem sofrer mais que outros, como é o caso da Rua Ituverava, da Travessa Teodomiro Pereira e de parte da Estrada do Bananal — conta.
Em nota, a Light explicou que as causas do problema variam de acordo com o bairro.
No Recreio, segundo a concessionária, os principais impactos estão relacionados a fenômenos naturais, como quedas de árvores e raios.
Na Barra, a empresa aponta furtos de cabos e atos de vandalismo na rede subterrânea como os principais fatores.
Já na Freguesia, afirma que as ocorrências estão relacionadas sobretudo à queda de árvores.
A concessionária diz ter intensificado o plano de manutenção nas três regiões, com reforço de equipes.
De janeiro a julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025, informou ter ampliado em cerca de 20% os serviços preventivos de poda e em 75% os serviços de manutenção da rede.
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A empresa diz ainda que mantém investimentos na modernização do sistema, com substituição de equipamentos, reforço da distribuição e ampliação das equipes operacionais, além de ações específicas para reduzir os impactos dos furtos de cabos.
— Os investimentos e projetos na região são revisados periodicamente com base nos indicadores de desempenho da rede, no crescimento da demanda e nas necessidades operacionais de cada localidade, priorizando as áreas de maior necessidade — afirma o gerente de serviços técnicos da Light, Bruno Almeida.