A produção de embalagens cresceu 2,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, descontados os efeitos sazonais, segundo estudo do FGV Ibre para a Associação Brasileira de Embalagem (Abre).
O resultado ficou acima do desempenho da indústria de transformação, que recuou 0,1% no período.
Apesar da recuperação, no entanto, a expansão não deve se sustentar no restante do ano.
A projeção do estudo é de alta de apenas 0,2% para 2026, com intervalo entre queda de 0,2% e crescimento de 0,6%.
A retomada entre abril e junho foi disseminada entre os principais segmentos da cadeia.
A produção de embalagens de madeira avançou 11,4%, enquanto as de metal e vidro cresceram 2,2% cada.
Na sequência, papel e papelão ondulado tiveram alta de 2,1%.
Já o segmento de plástico, que concentra a maior parcela dos trabalhadores do setor, avançou 1,6% no trimestre.
O desempenho da produção contrasta, contudo, com a evolução do emprego formal.
Mesmo diante da perspectiva de crescimento moderado da atividade em 2026, a cadeia de embalagens empregava 286,5 mil trabalhadores em junho, alta de 3,2% no acumulado do ano.
No mesmo período, o emprego formal na indústria de transformação cresceu 0,5%.
A maior parte dessa mão de obra está concentrada no segmento de plástico, responsável por 56% dos empregos formais da cadeia.
Em seguida aparecem papelão ondulado, com 14%, e papel, com 10%.
No comércio exterior, por sua vez, o setor mantém uma posição praticamente equilibrada.
De janeiro a julho, as exportações de embalagens somaram US$ 363,9 milhões, alta de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Os segmentos de plástico e metal responderam pelas maiores parcelas das vendas externas, com participações de 35,8% e 34,4%, respectivamente.
As importações, embora tenham crescido em ritmo mais lento, também avançaram no período.
Foram US$ 363,3 milhões, alta de 2,2% sobre os primeiros sete meses do ano passado.
As embalagens de metal representaram 33,2% do total importado, enquanto as de plástico responderam por 30,4%.
Com isso, o saldo comercial da cadeia ficou praticamente zerado.
A recuperação observada no segundo trimestre ocorre em um ambiente de expansão do consumo das famílias, que deve crescer 2% em 2026, segundo a projeção do estudo, acima da alta de 1,3% registrada em 2025.
Esse movimento tem se refletido em setores que são importantes demandantes de embalagens.
No primeiro semestre, a produção de bebidas cresceu 3,9%, enquanto a de sabões e detergentes avançou 2,5%.
Além disso, o comércio eletrônico continua ampliando sua participação no varejo.
No segundo trimestre, as vendas realizadas por esse canal corresponderam a 20,2% do total, segundo o levantamento.
Apesar desses fatores de sustentação, o ambiente macroeconômico deve limitar uma expansão mais forte da indústria de embalagens no segundo semestre.
O estudo do FGV Ibre projeta crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026, ante 2,3% em 2025, enquanto a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em 5%, acima da meta.
Nesse cenário, a projeção é de que a Selic permaneça elevada, em 13,75% ao fim do ano.
O estudo também considera o elevado endividamento das famílias, a inadimplência e a perspectiva de um ajuste fiscal em 2027 como fatores de pressão sobre a atividade.
Assim, embora a cadeia tenha mostrado recuperação no segundo trimestre, a expectativa para o ano continua sendo de crescimento próximo da estabilidade.
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