Sistema financeiro foi vítima da fraude na Americanas e sofreu perdas bilionárias, diz CEO do Itaú - QTU Questões do Universo

Sistema financeiro foi vítima da fraude na Americanas e sofreu perdas bilionárias, diz CEO do Itaú

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O presidente do Itaú, Milton Maluhy, classificou o desfalque no caixa da Americanas como "uma das maiores fraudes já vistas no país" e afirmou que o Itaú, assim como o restante do sistema financeiro, foi uma vítima relevante que sofreu perdas bilionárias.
O executivo rebateu veementemente qualquer sugestão de conivência dos bancos, argumentando que seria "ilógico" participar de uma fraude que resultou em prejuízos massivos para a própria instituição.
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— O problema não foi uma simples discussão de classificação contábil, mas sim uma ação deliberada de "omitir e ocultar" passivos, reforçando que a responsabilidade pela contabilidade é da companhia e de seus auditores — afirmou o presidente do banco, durante apresenetação do balanço do segundo trimestre, nesta quarta-feira.
O presidente do banco afirmou que, mesmo somando todas as receitas geradas por operações de risco sacado (operação de antecipação de recebíveis que envolve três partes: a empresa compradora (sacado), o fornecedor (cedente) e uma instituição financeira) em anos anteriores, o sistema financeiro como um todo perdeu bilhões de reais com a fraude.
— Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é supernegativo"
O executivo revelou que o Itaú já havia parado de operar com a Americanas antes da fraude vir à tona, justamente por ser rigoroso nas exigências de informações e dados que a empresa deveria prestar.
Ele afirmou que os auditores têm um papel relevante e a "carta de circularização" (enviada pelos bancos) serve apenas como um apoio para esses auditores, não como prova de conivência bancária.
Em junho passado, a Polícia Federal (PF) iniciou uma nova fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária na Americanas.
Na ação, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Pela primeira vez, a investigação chegou aos acionistas da empresa e executivos de bancos, entre eles o Itaú, também foram alvos de busca.
De acordo com a Polícia Federal do Rio de Janeiro, investigações relevaram "fortes indícios da prática de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa".
E que as apurações iniciadas após a primeira fase da Disclosure, em junho de 2024, mostraram que "os investigados tinham pleno conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos."
Eleição trará alguma volatilidade
Ainda durante a apresentação dos números do itaú, Milton Maluhy afirmou que os conflitos globais que pressionam os preços de commodities (petróleo e fertilizantes) e fretes, acabam gerando impactos inflacionários mundiais.
Por isso, o banco mantém a cautela nesse cenário.
Ele demonstrou preocupação também com a economia pujante dos Estados Unidos, que pode forçar o Federal Reserve (o banco central americano) a manter ou elevar os juros, pressionando as taxas e o câmbio globalmente.
O banco revisou sua projeção de crescimento do PIB de 2,1% para 1,9%, este ano, e projeta a inflação em 5,1%, acima do teto da meta.
Sobre o período eleitoral, o CEO afirmou que o banco está acostumado com a alternância democrática em seus 101 anos de história.
Ele espera alguma volatilidade no mercado, mas nada desproporcional, destacando que a comunicação dos candidatos sobre seus planos de governo e o arcabouço fiscal será o fator determinante para a reação dos investidores.
— O debate sobre a trajetória fiscal é fundamental, e o social e o fiscal têm que andar juntos.
Um cenário fiscal desordenado gera inflação e reduz o poder de compra das famílias — afirmou.