Tarifaço, rejeição, conservadores: os fatores que contribuem para a distância menor entre Lula e Flávio na Genial/Quaest - QTU Questões do Universo

Tarifaço, rejeição, conservadores: os fatores que contribuem para a distância menor entre Lula e Flávio na Genial/Quaest

Fonte: Bandeira da fonte

Embora mantenha a liderança na corrida pelo Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu a vantagem para seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), recuar no último mês de 12 para nove pontos percentuais no embate de primeiro turno e de oito para cinco pontos na simulação de segundo turno.
O movimento foi captado na pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira — os resultado foram recebidos com alívio pela campanha de Flávio e minimizado por aliados de Lula — e acompanhou uma piora na percepção dos eleitores sobre a resposta do petista ao último tarifaço dos EUA, aplicado pelo governo de Donald Trump, a parte dos produtos brasileiros.
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Em um eventual segundo turno, o atual presidente marca 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na sondagem anterior, em julho, o candidato do PL perdia por 45% a 37%.
A margem de erro da pesquisa, feita entre sexta-feira e a última segunda-feira, é de dois pontos percentuais.

No primeiro turno, Lula também mantém a liderança, com oscilação de um ponto para baixo.
O petista aparece com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio, que oscilou dois pontos para cima, dentro da margem de erro.
Os candidatos do PSD, Ronaldo Caiado, e do Missão, Renan Santos, marcam 4% cada.
Já Romeu Zema, do Novo, soma 2%.
Crises recentes
A pesquisa é a primeira da Quaest após as convenções que oficializaram os candidatos a presidente, as novas tarifas aplicadas pelo governo americano ao Brasil no fim de julho e a reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
O levantamento também foi feito em meio às revelações de que foram abertos inquéritos para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção.
A Quaest aponta que a proporção de eleitores que avaliam que Lula reagiu “mal” ao tarifaço subiu sete pontos para 43% e passou a ultrapassar a de entrevistam que acreditam que o presidente reagiu “bem” às medidas anunciadas pela gestão de Donald Trump, índice que passou de 39% para 38%.
Também houve queda de 13 pontos para 46% no contingente que afirma que o petista é quem melhor defende os interesses do Brasil na comparação com Flávio.
Citam o filho de Jair Bolsonaro 38%, quatro pontos a mais que em julho.
Para 9%, a resposta é nenhum dos dois, mesmo percentual do último levantamento.
Houve estabilidade, no entanto, na avaliação do governo Lula.
São 48% os que aprovam a gestão federal, ante 47% que a desaprovam — mesmos índices da pesquisa anterior.
O quadro configura um empate na margem de erro.
Apesar da manutenção da aprovação do governo à frente da desaprovação, houve uma piora entre os eleitores independentes e de classe média, segmentos nos quais o presidente busca ampliar as intenções de voto.
No primeiro grupo, a aprovação recuou de 45% para 42%, enquanto a desaprovação subiu de 45% para 47%.
Já entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos, a desaprovação passou de 54% para 58%.
Aprovação do governo do petista, porém, avançou cinco pontos no Nordeste, tradicional reduto lulista, de 61% para 66%.
Visão das campanhas
Aliados de Lula minimizaram ontem a queda na vantagem do atual presidente sobre Flávio e dizem que ele seguirá apostando no discurso de defesa da soberania brasileira em um momento delicado internacionalmente.
O entorno do petista afirma que a cada dia que passa fica claro que há uma tentativa do governo Trump em interferir no resultado das eleições.
Cada novo desdobramento da crise diplomática entre os dois países deverá ser usado para enfraquecer e atacar Flávio.
Já a campanha de Flávio recebeu com alívio a estabilidade dos resultados do candidato do PL após a sequência de reveses políticos na reta final das convenções.
Embora as oscilações em relação ao levantamento anterior estejam dentro da margem de erro e não permitam apontar uma melhora efetiva do senador, aliados avaliam que os números reduzem o temor de que o isolamento partidário causado pelas sucessivas negativas do Centrão produzissem um desgaste imediato de sua candidatura.
Ao blog da colunista do GLOBO Malu Gaspar, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que a redução da distância de Flávio pode ser explicada pela melhora do seu desempenho entre os homens conservadores.
Em um eventual segundo turno, Flávio voltou a ultrapassar Lula no eleitorado masculino.
Ele aparece com 44%, contra 40% do petista — na divulgação anterior, o cenário era o oposto.
Além disso, no segmento da “direita não bolsonarista”, Flávio subiu de 74% para 81% das intenções de voto em um embate direto contra Lula.
A pesquisa foi feita em um período em que Flávio atravessou dificuldades para fechar sua coligação, recebeu negativas de partidos que cortejava e chegou à reta final das convenções sem conseguir incorporar uma nova legenda à candidatura.
Outro dado acompanhado pela campanha é a rejeição de Flávio.
O senador continua sendo o candidato com maior percentual de eleitores que dizem conhecê-lo e não votar nele, mas a taxa oscilou de 57% para 54%.
Lula aparece logo atrás, com 52%, ante 50% anteriormente.
Assim como nas intenções de voto, as variações estão dentro da margem de erro.
A redução dessa distância é observada pela campanha num momento em que Flávio prepara uma ofensiva para tentar aumentar o desgaste do adversário.
Uma das frentes será explorar a nova investigação da Polícia Federal sobre o Lulinha tanto nas redes sociais quanto nos discursos do candidato.
A Quaest também mostrou que, para 59% dos eleitores, Flávio ter feito as pazes em público com Michelle Bolsonaro é “positivo”.
A crise entre os dois havia escalado desde a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama o acusava de tê-la maltratado e desrespeitado suas opiniões políticas.
Depois de um pedido de desculpas do enteado, um mês depois do racha familiar, Michelle declarou apoio à candidatura presidencial do correligionário.
Os dados mostram, porém, que a maioria do eleitorado (59%) não sabia que Flávio e a madrasta tinham feito as pazes.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores.
O nível de confiança do levantamento é de 95%.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06591/2026.