Muito antes de o sertanejo conquistar os grandes festivais e as plataformas digitais, José Rico já interpretava histórias que faziam parte do cotidiano do Brasil rural.
Ao lado de Milionário, formou uma das duplas mais importantes da música sertaneja e ajudou a transformar em canção a vida de quem vivia da terra, percorria estradas ou deixava o campo em busca de novas oportunidades.
Neste ano, o artista completaria 80 anos.
A data será lembrada em uma edição especial do 'Viver Sertanejo', neste domingo (2/8), logo após o Globo Rural.
O programa reúne Daniel, Milionário, Matogrosso, Paraná e os filhos do cantor, Sami Rico e Moyses Rico, para celebrar o legado de um dos artistas que mais contribuíram para aproximar a música sertaneja das histórias vividas no campo.
Quem foi José Rico
Nascido em Terra Rica (PR), José Alves dos Santos adotou o nome artístico José Rico e construiu, ao lado de Milionário, uma carreira que atravessou mais de quatro décadas.
A dupla alcançou projeção nacional a partir dos anos 1970 com sucessos como Estrada da Vida, A Carta, Sonhei com Você e Sonho de um Caminhoneiro.
Conhecido como "Garganta de Ouro", José Rico se destacou pela potência vocal e pela forma intensa de interpretar canções que retratavam sentimentos, mas também personagens ligados ao universo rural.
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Embora muitas de suas músicas falassem de amor, saudade e despedidas, elas também registravam a cultura do campo.
Caminhoneiros, boiadeiros, trabalhadores rurais, famílias da roça e as longas viagens pelas estradas aparecem com frequência em seu repertório.
Essa ligação com o campo também aparece nas lembranças da família.
Sami Rico conta que A Carta foi a primeira música que aprendeu a tocar no violão, ensinada pelo pai.
Segundo ele, José Rico interpretava cada canção com verdade, inspirado por experiências que carregava da vida no meio rural.
Já Moyses Rico relembra os ensinamentos recebidos do cantor e divide o palco com Milionário para interpretar Vontade Dividida.
Pela primeira vez na televisão, os dois irmãos também cantam juntos Nenhuma Esperança.
José Rico morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos, em decorrência de um infarto do miocárdio.
Sua obra, no entanto, continua atravessando gerações e preservando um retrato do Brasil rural.
