Você sabe quanto cabelo perde por dia? Entenda quando a queda pode ser um sinal de alerta - QTU Questões do Universo

Você sabe quanto cabelo perde por dia? Entenda quando a queda pode ser um sinal de alerta

Fonte: Bandeira da fonte

Encontrar fios no travesseiro, no ralo do banheiro ou na escova costuma despertar uma dúvida comum: afinal, quanto cabelo é normal perder diariamente? Durante anos, a referência de até 100 ou 120 fios por dia circulou como um parâmetro para diferenciar uma queda natural de um possível problema.
Especialistas, porém, alertam que a avaliação não deve ser feita apenas pela contagem, já que a quantidade considerada normal varia de acordo com a densidade capilar de cada pessoa.
Sentir dor ao pentear o cabelo não é normal; saiba o que pode estar por trás
Scalp care: por que o couro cabeludo virou a nova prioridade nos cuidados com o cabelo
"O número de fios perdidos por dia é relativo.
Depende do número de folículos capilares que a pessoa ainda tem.
Se é uma pessoa que sempre teve um cabelo um pouco mais ralo, ela tem menos folículos.
Nesse caso, quando os fios já são geneticamente mais finos, se essa pessoa perder 50 fios por dia, em seis meses ela já está com alopecia", explica o farmacêutico Maurizio Pupo.
A médica Lilian Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, reforça que os números usados como referência precisam ser interpretados individualmente.

"Embora a literatura médica cite como referência uma perda de até cerca de 120 fios por dia, esse número deve realmente ser interpretado com cautela.
A queda considerada normal é proporcional à quantidade de folículos pilosos e de fios que a pessoa possui no couro cabeludo.
Ou seja, quem tem maior densidade capilar naturalmente pode perder mais fios diariamente do que alguém com menos fios, sem que isso represente uma doença", afirma.
Na prática, observar mudanças no próprio padrão de queda pode ser um dos principais sinais de alerta.
Segundo Maurizio, cada pessoa costuma conhecer o comportamento habitual do próprio cabelo e perceber quando há uma alteração significativa.
"A gente faz isso com o olho mesmo, observando no chão do banheiro, na pia, na hora de escovar, no travesseiro e se você perceber qualquer aumento...
você tem que imediatamente adotar uma rotina antiqueda", diz o especialista.
Para Lilian, a mudança em relação ao volume habitual é o ponto que merece atenção.
"Em geral, as pessoas conhecem o comportamento do próprio cabelo: sabem quanto costumam perder ao lavar, pentear ou ao acordar.
Quando essa queda aumenta de forma perceptível e foge desse padrão habitual, é um sinal de alerta de que algo pode ter alterado o equilíbrio normal do ciclo capilar e merece investigação médica", esclarece.
As causas da queda podem ser variadas e, em muitos casos, estão relacionadas à combinação de diferentes fatores.
Entre os motivos mais frequentes estão deficiências nutricionais, alterações hormonais, problemas na tireoide e mudanças no organismo em determinados períodos da vida.
"Na prática clínica atual, as causas mais frequentes são as deficiências nutricionais, principalmente de ferro e vitamina B12, além das alterações da tireoide.
As oscilações hormonais também estão entre os principais gatilhos.
É comum observar queda capilar após a introdução ou interrupção de anticoncepcionais, no pós-parto, durante a menopausa e, mais recentemente, em pacientes que utilizam implantes hormonais ('chips hormonais')", detalha Lilian.
A especialista também chama atenção para a relação entre emagrecimento acelerado e queda dos fios.
"Embora esses medicamentos não provoquem queda de cabelo diretamente, a perda rápida de peso e as alterações metabólicas que acompanham o tratamento podem desencadear um eflúvio telógeno, que é uma queda temporária dos fios", explica, em referência ao uso das chamadas canetas para emagrecimento.
Além das quedas temporárias, existem condições progressivas, como a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície.
"Diferentemente do eflúvio telógeno, ela é uma doença genética e progressiva, que leva ao afinamento gradual dos fios e requer tratamento específico para evitar sua evolução", completa a médica.
Entre as opções de tratamento disponíveis atualmente estão desde medicamentos e cuidados tópicos até procedimentos realizados em consultório.
O microagulhamento é uma das técnicas utilizadas em alguns casos, segundo Maurizio, mas deve ser feito apenas por profissionais habilitados.
"Ele não deve ser feito em casa de maneira alguma, mas nas clínicas têm um custo muito bom, é muito seguro e o resultado é muito bom; o profissional aplica microagulhas no local onde o paciente já perdeu muito o cabelo.
Além do próprio estímulo das agulhas, que já serve para fazer os fios ganharem nova força, ainda tem o drug delivery, com aplicação de substâncias que vão penetrar mais para estimular o crescimento", pontua.
Queda de cabelo: por que contar os fios perdidos por dia pode enganar
Magnific
A área de saúde capilar também tem acompanhado avanços da chamada medicina regenerativa, com pesquisas e protocolos que buscam preservar e estimular folículos ainda ativos.

"A medicina regenerativa amplia as possibilidades de tratamento para pacientes que apresentam queda, afinamento e perda de densidade dos fios.
A proposta é utilizar recursos biológicos capazes de favorecer a comunicação celular, o reparo dos tecidos e a manutenção da atividade dos folículos ainda viáveis", destaca Lilian.
Segundo a médica, entre as abordagens estudadas estão os exossomos, os microenxertos autólogos com células progenitoras e o uso de gordura processada do próprio paciente.
Esses recursos, porém, dependem de avaliação individual e indicação médica.
Outro procedimento citado pela especialista é o Hydrafacial Keravive, voltado para a limpeza e o cuidado do couro cabeludo.
A técnica utiliza um sistema de vórtice para promover esfoliação profunda e melhorar a microcirculação da região, podendo auxiliar em alguns casos de queda conforme a causa identificada.
Para os especialistas, o ponto principal é entender que a queda de cabelo não deve ser analisada apenas pela quantidade de fios encontrados diariamente.
Ela pode ser um sinal de alterações no organismo ou no próprio ciclo capilar e precisa de uma investigação adequada para que o tratamento seja direcionado.